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Ensino da teoria semiótica no diálogo sobre o combate ao racismo é tema de experiência premiada pela Fundação Carlos Chagas

Formação realizada no Instituto Federal de São Paulo utilizou o filme Felicidade por um fio como estratégia de combate ao racismo

16/05/24 | Por Jade Castilho, assessoria de comunicação da Fundação Carlos Chagas, comunicacao@fcc.org.br

Composição de fundo verde, com curvas laranjas na parte inferior. Sobre a imagem, há o texto: “Prêmio Professor Rubens Murillo Marques 2023. Semiótica e consciência negra: propostas de ensino e desdobramentos. Projeto vencedor é da área de Licenciatura em Letras-Espanhol”. O logo da Fundação Carlos Chagas e seus perfis nas redes sociais aparecem em uma barra inferior branca.

O trabalho docente traz inúmeros desafios, dentro e fora de sala de aula, que vão além dos conteúdos previstos no currículo escolar. O combate ao racismo foi escolhido pela professora Eva Cristina Francisco, da Licenciatura em Letras – Espanhol do campus Avaré do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). 

Em sua experiência formativa, a educadora, uma das vencedoras da 13ª edição do Prêmio Professor Murillo Marques, promove o diálogo acerca das questões raciais a partir da análise detalhada do filme Felicidade por um fio (2018) nos estudos da teoria dos signos na semiótica. 

A ideia do projeto surgiu em 2020, em meio à pandemia de covid-19 e o contexto de distanciamento social, com a interrupção das aulas presenciais. Com o desenvolvimento das atividades no ano seguinte no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), a iniciativa possibilitou, de imediato, uma integração entre docentes, futuros docentes e discentes da educação básica na leitura e interpretação das linguagens. 

Com leituras de materiais teóricos e legislações voltadas à promoção da Consciência Negra, os estudantes foram incentivados a se apropriarem dos conceitos e debaterem, em conjunto, suas percepções e aprendizados em torno do tema. 

O que é um signo?

Para promover a interação entre teoria e prática, Eva abordou a produção cinematográfica a partir de conceitos da semiótica, como o signo, objeto e interpretante, uma tricotomia presente na teoria de Charles Sanders PeirceO filósofo estadunidense, uma das principais referências nesse campo de estudo, descreveu como os sujeitos se relacionam entre si, com as linguagens e as representações do mundo com a teoria dos signos. 

“O signo, o objeto e o interpretante é a primeira tricotomia delas, que se desdobra para todas as outras. Então a gente tem, por exemplo, uma carta. A carta é um signo. Por quê? Porque ela significa algo para alguém em determinado contexto. E, desse signo, a gente tem o objeto. O que é o objeto? O objeto a que essa carta se refere. É uma carta de amor? É uma carta de despedida? E o interpretante disso? Interpretante são os efeitos que essa carta vai causar no leitor”, exemplifica Eva.

Com o objetivo de viabilizar o uso da linguagem cinematográfica como forma de abordagem a atividades relacionadas à interpretação de textos e também facilitar a aplicação da Lei nº 10.639, que determina o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas, a educadora incorporou cenas e diálogos do filme escolhido na abordagem do conteúdo teórico.

A disputa com as tecnologias, como os celulares e as redes sociais, mostrou para Eva que o investimento em metodologias ativas e a proximidade do conteúdo com elementos do cotidiano dos estudantes promove uma aprendizagem significativa. 

“A semiótica é bastante abstrata, principalmente porque ela trata de várias áreas de conhecimento, não só da linguagem. Então quando a gente fala que o signo é tudo aquilo que significa algo para alguém, dentro das palavras de Peirce, os alunos não conseguem entender, e o debate sobre o filme enriqueceu esse processo. Foram alguns desafios, mas os alunos entenderam e saíram das aulas pensando em como aquilo poderia contribuir efetivamente na educação básica também”, afirma a professora.  

Incentivo 

Com o reconhecimento derivado do Prêmio Professor Rubens Murillo Marques e a publicação da experiência na série Textos FCC, o trabalho feito por Eva foi disponibilizado para o público em geral, inclusive outros educadores. Para a professora, a divulgação do projeto pode inspirar os demais. 

“Tive uma motivação pessoal de vislumbrar o combate ao racismo, algo que a gente precisa fazer sempre. Eu sinto muito orgulho de ser professora. Trabalhar com a educação é gratificante, é algo que causa muito prazer quando você vê os resultados dessa educação no seu público”, finaliza. 

Saiba mais
Semiótica e consciência negra: propostas de ensino e desdobramentos
O projeto desenvolvido pela professora Eva Cristina Francisco está disponível para leitura na série Textos FCC.
Acesse: https://publicacoes.fcc.org.br/textosfcc/issue/view/384/250  

Prêmio Professor Rubens Murillo Marques 2024
Inscrições abertas até o dia 10 de junho. Confira o edital e o regulamento em:
https://www.fcc.org.br/fcc/premios/premio-professor-rubens-murillo-marques

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